Você saberia dizer quantas vezes seu filho já usou antibiótico desde que nasceu? Se essa conta já fugiu da sua memória, vale a pena parar e entender por que esse detalhe importa mais do que parece.

Uma fase decisiva no desenvolvimento

Especialistas chamam de “primeiros 1000 dias” o intervalo que começa na gravidez e se estende até os 2 anos de idade — um momento decisivo para moldar o metabolismo e a imunidade da criança. Há quem defenda um recorte ainda maior, os “primeiros 2000 dias”, abrangendo também etapas relevantes do crescimento infantil.

E é justamente nessa fase que um personagem discreto entra em cena: o conjunto de micro-organismos que habita nosso intestino, conhecido como microbiota.

Por que a microbiota faz tanta diferença

Falamos de bilhões — na verdade, trilhões — de bactérias concentradas principalmente no intestino, responsáveis por funções essenciais: ajudam a amadurecer as defesas do corpo, colaboram na digestão, sintetizam vitaminas, regulam o metabolismo e ainda trocam sinais com o cérebro por meio da chamada conexão intestino-cérebro.

Só que, nos primeiros anos de vida, esse ecossistema ainda está sendo montado — e um dos maiores vilões nesse processo de formação é o uso de antibióticos.

Um remédio essencial, usado com cautela

Fica o alerta: antibióticos são aliados indispensáveis e mudaram completamente o rumo da medicina, seguindo indispensáveis na saúde infantil até hoje. A intenção aqui não é criar medo desses medicamentos, mas sim apontar os riscos do uso em excesso, fora de hora ou sem real necessidade.

Isso acontece porque, ao tomar um antibiótico — sobretudo os de espectro amplo —, o corpo não elimina apenas o micro-organismo causador da doença. Junto dele, vai embora uma parcela significativa das bactérias que fazem bem ao intestino.

O que os estudos vêm apontando

Pesquisas recentes já relacionam o uso repetido de antibióticos na primeira infância a chances maiores de a criança desenvolver, mais adiante:

  • quadros alérgicos;
  • asma;
  • dermatite atópica;
  • excesso de peso;
  • inflamações intestinais crônicas;
  • desequilíbrios no metabolismo.

Somado a isso, o uso sem critério contribui para um dos maiores desafios da saúde coletiva atualmente: as bactérias resistentes a medicamentos.

Tudo começa antes mesmo do parto

Um ponto que costuma passar despercebido: a formação dessa comunidade bacteriana tem início ainda na gestação. Elementos como a forma do parto, se a mãe usou antibiótico, os hábitos alimentares dela e o contato com o ambiente moldam diretamente essa colonização inicial.

Quando o tratamento realmente se justifica

Toda prescrição de antibiótico para crianças precisa ter uma razão clara por trás. E, nos casos em que o remédio é de fato indispensável, existem caminhos já testados para reduzir os danos à microbiota — como associar probióticos de cepa determinada. O Saccharomyces boulardii CNCM I-745, fórmula exclusiva de Floratil, por exemplo, já reúne bastante respaldo científico quando usado junto com o tratamento antibiótico em pediatria.

Febre, tosse e dor de garganta nem sempre pedem antibiótico

Não é toda febre que exige antibiótico. Nem toda tosse. Nem toda dor de garganta. Boa parte das infecções da infância tem origem viral e se resolve sozinha, sem esse tipo de remédio.

O recado final

Antibiótico não deve ser tratado como inimigo. Mas usá-lo sem necessidade também não é uma opção segura. Até completar os primeiros 2000 dias de vida, existe uma oportunidade real de cuidar da microbiota — e, com ela, do futuro daquela criança.